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quinta-feira, 29 de maio de 2008

UNASUL - O QUE É?

23 de maio, 2008 - 16h59 GMT (13h59 Brasília)BBC Brasil.com
Márcia Carmo
O que é a Unasul
Presidentes e representantes dos 12 países da América do Sul assinaram em Brasília, nesta sexta-feria, o tratado de criação da União das Nações Sul-americanas, a Unasul.

Como o grupo surgiu e quais são seus principais objetivos:
A Unasul (União das Nações Sul-americanas) reúne os doze países da América do Sul e visa aprofundar a integração da região. Por suas riquezas naturais, a América do Sul é importante internacionalmente como um dos principais centros produtores de energia e de alimentos do planeta. Chile e Peru são ainda dois dos principais endereços da indústria mineradora no mundo.

Como a Unasul nasceu?
A iniciativa da criação de um órgão nos moldes da Unasul foi apresentada, oficialmente, numa reunião regional, em 2004, em Cusco, no Peru. O projeto recebeu o nome de Casa (Comunidade Sul-Americana de Nações), mas o nome foi modificado para Unasul durante a Primeira Reunião Energética da América do Sul, realizada no ano passado na Venezuela. O nome Unasul – Unasur para os países de língua espanhola - surgiu depois de críticas do presidente venezuelano Hugo Chávez ao que ele chamou de lentidão da integração.

Quais serão os principais objetivos deste novo organismo?
Os principais objetivos serão a coordenação política, econômica e social da região. Com a Unasul, espera-se avançar na integração física, energética, de telecomunicações e ainda nas áreas de ciência e de educação, além da adoção de mecanismos financeiros conjuntos.

O que se define em Brasília?
A partir desta reunião, a Unasul passa a ter personalidade política própria e, na prática, passará a ser um organismo internacional. Ou seja, não se limitará mais a um fórum de debates, mas incluirá a possibilidade de serem adotadas medidas conjuntas. Os presidentes assinam esta formalização nesta sexta-feira, mas para que Unasul comece a funcionar como organismo internacional o texto ainda precisa ser ratificado pelos congressos de nove dos doze países.

O que mais é discutido em Brasília?
Os líderes regionais estão discutindo também a criação do Conselho de Defesa da América do Sul. A idéia foi apresentada oficialmente pelo Brasil, mas é rejeitada pela Colômbia. A iniciativa ganhou força no início deste ano, depois da crise envolvendo Venezuela, Colômbia e Equador, provocada por uma ação militar colombiana contra as Farc em território equatoriano.

Além do Conselho, que outras bases internas da Unasul poderão surgir?
Existe o plano de criação do Parlamento único da Unasul, mas não há nenhuma expectativa de que a idéia seja colocada em prática em um futuro próximo. A Unasul terá ainda uma secretaria permanente que deverá ser em Quito, no Equador.

Qual o tamanho da Unasul?
Os países que farão parte do grupo têm cerca de 360 milhões de habitantes e, de acordo com dados da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), tinham um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,5 trilhões em 2006. Ainda de acordo a Cepal, só o PIB do Brasil era de US$ 1,06 trilhão em 2006. Segundo dados mais atualizados, o PIB do Brasil é de US$ 1,3 trilhão, o oitavo do mundo. Mas este é um grupo desigual, que conta com 180 milhões de habitantes do Brasil e três milhões do Uruguai, por exemplo.

Quais são os desafios da Unasul?
Num primeiro momento, os governos parecem ter expectativas diversas sobre os resultados reais da Unasul. O ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, disse que seu país tem três principais interesses nessa integração: energia, infra-estrutura e uma política comum de inclusão social. Por sua vez, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou que a Bolívia espera que a Unasul não se limite às questões comerciais e trate da "união dos povos". Mas talvez o principal desafio da Unasul será colocar em prática suas medidas, como a integração energética, já que hoje o desafio entre quatro países – Brasil, Argentina, Bolívia e Chile – ainda não foi resolvido. Questões bilaterais – ou trilaterais – também estão na lista de desafios da região. Disputas territoriais entre Chile e Peru, da época da Guerra do Pacífico, no século 19, estão hoje no Tribunal Internacional de Haia. A Bolívia reivindica do Chile uma saída para o mar, perdida na mesma guerra do Pacífico. Venezuela, Equador e Colômbia travam, desde março, uma disputa envolvendo as Farc (grupo guerrilheiro mais antigo do mundo, com mais de 40 anos) que ainda não teve conclusão.

Quais são os próximos passos?
No sistema de presidência temporária e rotativa, a próxima presidência caberia à Colômbia, que abriu mão do direito, que passará ao Chile. Nos termos do Tratado, a Unasul terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. Haverá reuniões anuais de chefes de Estado e de Governo e reuniões semestrais do Conselho de Ministros de Relações Exteriores.

URL: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080523_qaunasul_ed_mp.shtml

LEIA NOTÍCIAS RELACIONADAS: Com Unasul, América do Sul tenta aprofundar integração 23 maio, 2008 | BBC Reporthttp://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080523_unasul_abrerg.shtml Projeto de Conselho Sul-Americano de Defesa pode sair em 3 meses, diz Bachelet http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080523_unasul_bacheletdefesarg.shtml Colômbia diz que ficará fora de Conselho de Defesa Sul-americano 22 maio, 2008 | BBC Reporthttp://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080521_conselhodefesa_cj_ac.shtml O Gigante VizinhoA relação do Brasil com os outros países da América do Sul. http://www.bbc.co.uk/portuguese/southamerica/index.shtml

AS COTAS NA UERJ

*ALI KAMEL, no Globo de
hoje*


A Uerj, a primeira universidade brasileira a adotar o sistema de cotas
raciais, divulgou um estudo bastante revelador.

No vestibular do ano passado, foram oferecidas 1.048 vagas para negros, mas
apenas 673 estudantes se inscreveram. Desses, 439 passaram.

No ano anterior, o mesmo fenômeno já tinha acontecido. Foram oferecidas
1.031 vagas para negros, mas apenas 753 se inscreveram (as aprovações foram
de apenas 432 alunos).

Antes, havia mais candidatos inscritos do que vagas, mas o cenário mudou
completamente nos últimos dois anos. A Uerj anunciou, então, um amplo
estudo, a ser concluído até o fim deste ano, para descobrir as causas.

Eu pergunto: precisa? Para mim, esses dados são eloqüentes e provam, de
maneira cabal, que, se os negros e os pardos não estão nas universidades na
mesma proporção que ocupam na população geral, o motivo não é o racismo. Se,
mesmo com 20% de vagas reservadas, não há inscritos suficientes, isso é um
sinal claro de que a política de cotas é um instrumento ineficiente para
abrir as portas do ensino superior. Se a Uerj decidisse ampliar a reserva de
vagas para, digamos, 40%, o único resultado seria uma ociosidade ainda
maior. O que esses números dizem de uma maneira irrefutável é que o ensino
médio não forma alunos negros em número suficiente, o que impede até mesmo
uma simples inscrição no vestibular (o certificado de conclusão do ensino
médio é requisito para entrar na universidade). Antes, havia mais inscritos
do que vagas, porque havia um estoque de alunos formados em anos anteriores,
estoque esse que, com o tempo, se esgotou. Hoje, faltam formandos oriundos
do ensino médio. Como para freqüentar o ensino médio e o ensino fundamental
não há nenhum pré-requisito, não se pode dizer que haja neles um gargalo que
atinja especificamente os negros. Neste país, negro, pardo, branco ou
amarelo, todos têm livre acesso às escolas públicas.

(continua).


A notícia "trigger" deve ter sido a divulgada pelo O Estado de São Paulo em
13/5: clique aqui

.

Daí é só ir no site da UERJ sobre seu vestibular (www.vestibular.uerj.br) e
pegar as planilhas estatísticas:
clique
2008
clique 2007
clique 2006

*Por Sergio Telles*

Como aluno da UERJ, posso explicar bem o porquê desse baixo volume de
inscritos. As vagas para negros não são apenas pelo critério racial, há 2
outros limites, que são: ter estudado em escola pública e ter renda per
capita na família de menos de 1 salário mínimo por mês. Isso retira muitos
pardos e negros da condição de concorrer às cotas raciais. Muitos outros
candidatos concorrem pelas cotas de estudantes de escolas públicas.

As cotas podem ser "inúteis" para faculdades com baixa demanda (até 10
candidatos/vaga), mas observe que cursos como Direito, Medicina,
Odontologia, Jornalismo e algumas Engenharias, todas as vagas foram
preenchidas, até então um negro ou pobre nesses cursos elitizados era coisa
raríssima.

A gente convive diariamente com essas pessoas de cotas (não há nenhum tipo
de distinção, mas nota-se a dificuldade e a origem deles, muitos são
moradores de favelas e não possuem dinheiro sequer para material didático ou
mesmo para a alimentação ou passagem, enfim, são realmente pessoas que estão
ali no limite do esforço) e alguns destes já estão se formando, com
resultados brilhantes, superando dificuldades da base, da carência alimentar
que passaram, pela dificuldade de ensino de dentro de casa ou de reforço de
cursinhos que os filhinhos da classe média tanto dispõem e que os fazem
achar "superiores".

Grandes empresas daqui do Rio estão chamando esses jovens e estão sendo
absorvidos pelo mercado numa boa, e estão dando o resultado esperado.

*Por Antonio *

Num exame, também apressado, das planilhas estatísticas da UERJ, o índice de
classificação foi de praticamente 100% nas carreiras habitualmente
preferidas no vestibular geral.

Observa-se ainda que a demanda foi também seletiva no aspecto da localidade.

De modo que não se pode generalizar a ineficiência do sistema, e talvez se
concluir que não basta a abertura de vaga em qualquer curso, é preciso se
conhecer a demanda por curso: pobre e negro também são orgulhosos! A elite,
quem sabe, pode pensar que qualquer oferta tem que ser aceita.

Resultados apurados da UERJ:

Ciencias Sociais 19 classificados/20 vagas 95%
Desenho Industrial 7/7 100%
Direito 64/64 100%
Enfermagem 12/16 75%
Engenharia Produção 10/12 83%
Engenharia Quimica 14/16 87%
Geografia 15/14 107% ?
História 20/20 100%
Jornalismo 10/10 100%
Letras Port/Esp 9/9 100%
Letras Port/Lit 11/14 78%
Medicina 19/19 100%
Psicologia 20/20 100%
Serviço Social 18/16 112% ?

Qual a sua opinião?

DISCURO DO BRASIL NÃO CONDIZ COM A REALIDADE INTERNA

Discurso do Brasil não condiz com realidade interna, diz Anistia Márcia Freitas
O Brasil corre o risco de perder credibilidade na comunidade internacional porque o seu discurso como defensor dos direitos humanos não condiz com as realizações do governo nessa mesma área dentro do país, segundo a Anistia Internacional. » AI: violência policial mata milhares no País
» EUA e Colômbia lideram abusos na América
» AI cita ex-detido em Guantánamo e índia brasileira
» AI: potências "devem restabelecer autoridade"
No documento Promessas Não Cumpridas, que acompanha a divulgação do relatório anual da organização nesta quarta-feira, a Anistia questiona a atuação do país e de outros emergentes - principalmente entre os que buscam um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - em instâncias internacionais, se colocando como fortes defensores de direitos humanos.
"Países como o Brasil e o México têm tido posições fortes em defender direitos humanos internacionalmente e em apoiar o sistema da ONU. Mas, a não ser que a distância entre as políticas internacionais desses governos e o seu desempenho doméstico seja diminuída, a credibilidade desses países como defensores de direitos humanos será questionada", diz o documento.
"Durante décadas nós temos ouvido o Brasil com um discurso muito progressista a nível internacional, mas ao mesmo tempo esse discurso não tem se refletido nas garantias e nas reformas necessárias no Brasil para a melhoria das pessoas que estão mais sofrendo", afirmou Tim Cahill, porta-voz da organização para o Brasil, em entrevista à BBC Brasil.
Ele diz que o Brasil lutou, por exemplo, pela criação do Conselho de Direitos Humanos da ONU e foi um dos primeiros países a aceitar se submeter a um sistema de análise das condições internas pelo órgão.
Por outro lado, segundo Cahill, o Brasil continuou a não responder a questões importantes, como "porque a polícia continua a matar e porque continua a torturar".
"Então, nós reconhecemos que o Brasil tem um papel importante a desempenhar a nível internacional em relação às reformas e aos avanços internacionais na luta pelos direitos humanos, mas nós continuamos a pressionar para que o país faça coisas concretas para seus próprios cidadãos", disse Cahill.
Segurança Pública
Segundo a Anistia, a principal preocupação no Brasil continua sendo a segurança pública.
No relatório anual deste ano, a organização diz que "pessoas em comunidades marginalizadas continuam a viver em meio a níveis altos de violência causada tanto por gangues criminosas como pela polícia."
Segundo Tim Cahill, a organização reconhece que o governo tem adotado algumas medidas no sentido de lidar com o problema, como o lançamento, neste ano, do chamado PAC da Segurança.
Mas, por outro lado, se diz preocupada com o apoio que operações de intervenção "de estilo militarista" no Rio de Janeiro têm recebido de setores do governo federal, como o próprio presidente Lula, "reconhecendo a necessidade de agir com violência nessas comunidades contra elementos criminosos."
"Nossa preocupação é que essa mensagem tem reforçado as ações violentas da polícia", disse Cahill, notando que "a polícia do Rio de Janeiro matou 1.330 pessoas em situações chamadas de resistência seguida de morte, o número mais alto em toda a história do Brasil."

Declaração de direitos humanos
A crítica da distância entre o discurso e a realidade brasileira no que diz respeito aos direitos humanos segue a linha adotada pela Anistia Internacional no relatório deste ano, quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos.
O documento faz uma comparação entre o que foi prometido pelos artigos da Declaração e as violações registradas ao redor do mundo.
Segundo Tim Cahill, no Brasil são encontrados vários exemplos de desrespeito aos artigos da Declaração, principalmente os Artigos 1, 3 e 5.
No caso do Artigo 1, que estabelece que Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos, Cahill citou como violação a diminuição dos direitos dos povos indígenas e citou como exemplo a situação dos índios Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, que vivem em um sistema de "favelização" em vez de viver em suas próprias terras e "são forçados a trabalhar no corte da cana por falta de opção."
A violação ao Artigo 3 da Declaração - Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal - está presente no Brasil, segundo Cahill, na política de segurança pública, que é "claramente dirigida à proteção da classe média" e com uma "desvalorização da vida das pessoas que vivem em comunidades como o Complexo do Alemão no Rio de Janeiro".
Cahil lembra que a violação do Artigo 5 - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante - "é sistemática no Brasil, principalmente no sistema carcerário".

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quarta-feira, 21 de maio de 2008

FIM DO 13º SALÁRIO JÁ FOI APROVADO NA CÂMARA

Fim do 13º salário já foi aprovado na Câmara - falta o Senado

Enquanto a gente ESTÁ QUERENDO SABER QUEM MATOU A PEQUENA 'ISA' , o
Congresso continua votando outros assuntos de nosso interesse e a gente nem
percebe...vejam essa:
Fim do 13º já foi aprovado na Câmara (PFL, PMDB, PPB, PPS, PSDB )

Para conhecimento,
O fim do 13º salário já foi aprovado na Câmara para alteração do art. 618 da
CLT.
Já foi aprovado na Câmara e encaminhado para o Senado.
Provavelmente será votado após as eleições, é claro...
A maioria dos deputados federais que estão neste momento tentando aprovar no
Senado o Fim do 13º salário, inclusive da Licença Maternidade e Férias
(pagas em 10 vezes) são do PFL e PSDB.
As próprias mordomias e as vergonhosas ajudas de custo detodo tipo que
recebem, eles não cortam.
Conheça a cara dos safados que votaram a favor deste Projeto em todo Brasil.
Por favor, repassem para o maior número de pessoas possíveis, afinal eles
são candidatos fortes nas próximas eleições:

*1- **INOCÊNCIO OLIVEIRA-PFL
2- JOEL DE HOLLANDA - PFL *
*3-JOSÉ MENDONÇA BEZERRA-PFL
4- OSVALDO COELHO - PFL**
5- ARMANDO MONTEIRO-PMDB
6- SALATIEL CARVALHO-PMDB
7- PEDRO CORRÊA - PPB
8- RICARDO FIÚZA-PPB
9 -SEVERINO CAVALCANTE - PPB
10- CLEMENTINO COELHO - PPS
11- CARLOS BATATA-PSDB
12- JOÃO COLAÇO - PSDB
13- JOSÉ MÙCIO MONTEIRO-PSDB*

DIVULGUEM!!!


NINGUÉM É TÃO FORTE QUANTO TODOS NÓS JUNTOS!!!!!!!!
Divulguem!!! E não fique só reclamando do nosso país!!!!

Brasil gasta 57% do "mínimo" recomendado para ensino médio

Embora a matéria tenha uma orientação economicista, é importante conhecermos os números. Claro que a qualidade do ensino não está atrelada apenas aos investimentos financeiros, mas sem as condições materiais para o pleno funcionamento da escola e a digna remuneração dos profissionais da educação, tal qualidade fica prejudicada.Boa leitura.

08/05/2008 - 09h00 Brasil gasta 57% do "mínimo" recomendado para ensino médio, diz estudo Bruno Aragaki Em São Paulo ·
Governo investe menos que o necessário por aluno. ComenteNo Brasil, o valor gasto por aluno na rede pública não é suficiente para custear recursos mínimos para as escolas - como bibliotecas, professores com ensino superior e material didático. A falta de dinheiro na educação foi traduzida em cifras por pesquisadores brasileiros em parceria com as organizações internacionais Unicef, ActionAid e Save the Children.Segundo o índice CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), a estrutura básica para o ensino médio custaria, em 2005 - ano utilizado como base para o estudo - R$ 1.645 anuais. No entanto, o país gastou 57% desse valor - R$ 939 - em 2004, dado mais recente fornecido pelo órgão. Nesse caso, o déficit chega a 75%.Gasto por aluno no Brasil 1ª à 4ª R$ 1.359 R$ 1.618 5ª à 8ª R$ 1.374 R$ 1.591 Médio R$ 939 R$ 1.645 1Dados do MEC, para 2004 Nível Investido1 Recomendado Já nas outras séries, cai a distância entre o valor mínimo recomendado pelo estudo e o praticado no país em 2004. No ensino fundamental 1 (1ª a 4ª séries), o CAQi é R$ 1.618, enquanto o país gasta R$ 1.359; para o fundamental 2, o valor mínimo sugerido era de R$ 1.591, e o gasto por aluno foi de R$ 1.374.Custo para qualidade "mínima"Entre 2002 e 2007, os especialistas em educação Denise Carreira e José Marcelino Rezende Pinto coordenaram um levantamento para definir todos os gastos que uma escola tem por aluno - desde material de limpeza até salários de funcionários e professores. Batizado de "Custo Aluno-Qualidade Inicial", esse cálculo serviria de base para a formulação de políticas públicas. A proposta dos pesquisadores é tornar o CAQi o valor mínimo estabelecido em lei para o ensino público do país. "O objetivo inicial era calcular uma escola ideal. Mas os valores seriam muito altos, e teríamos só mais uma proposta difícil de colocar em prática. Então, optamos por projetar escolas com o mínimo de qualidade e estrutura", diz Carreira, que é pesquisadora da ONG Ação Educativa.A escola "mínima" projetada pelos pesquisadores tem laboratórios de ciências e de informática, biblioteca e turnos de cinco horas por dia (a maioria das crianças brasileiras passam na escola apenas o tempo mínimo exigido por lei, quatro horas).Dados do Censo Escolar 2006 mostram que 73% das escolas de ensino fundamental no país não têm bibliotecas e apenas 28% têm quadra poliesportiva.Investimento abaixo do necessárioEm estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 países desenvolvidos e emergentes como Turquia, México e Chile, o Brasil é o que menos investe por aluno.Segundo Rezende Pinto, professor de Educação da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto, para que os estudantes brasileiros tenham o "básico", "é necessário destinar à educação 1% a mais do PIB (Produto Interno Bruto) nacional".O país destinou 4% do PIB para o setor, em 2004, segundo o MEC. Por meio de assessoria de imprensa, o MEC informou que "não comenta esse tipo de estudo", mas que "concorda que o investimento feito por aluno está abaixo do necessário". "Tanto que o ministro Fernando Haddad pede, reiteradamente, aumento de repasse do PIB para a educação", segundo a assessoria.

RAÇA, RACISMO, IDENTIDADE E ETNIA

O tema “raça e racismo” continua sendo um dos mais inadequadamente abordadosp or escolas, universidades, governos, religiões, meios de comunicação e até movimentos sociais, o que colabora para que o preconceito se perpetue.O artigo “Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia”, escrito pelo antropólogo africano e professor da USP Kabengele Munanga enfoca a questão de forma bastante clara e merece ser lido. Está disponível no link:http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/09abordagem.pdf

OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA‏

Fonte: http://noticiasemrede.blogspot.com/2008/04/o-dossi-agripino-na-caros-amigos.html
O "Dossiê Agripino" na Caros Amigos
Leia a seguir, na íntegra, a matéria de capa da revista "Caros Amigos"deste mês, que conta as peripécias do senador José Agripino Maia(DEM), o "neocoronel" potiguar:
OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDECOMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELASDO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM,NÃO O ABONA.
Do meio para o fim dos anos 1970, para fazer parte do grupinho oligárquico que havia duas décadas comandava a política do Rio Grande do Norte, uma condição era suficiente e necessária: aderir àestratégia de renovação do regime autoritário, preparando-se para atransição. Isto é, a bênção dos militares era mais que bem-vinda. O industrial Osmundo Faria, dono da salina Amarra Negra e de vastolatifúndio no agreste, estava para ser anunciado sucessor do governador Cortez Pereira (1971-1975). Não tinha experiência em cargoeletivo – era suplente do senador Dinarte Mariz. Mas contava com o apadrinhamento de ninguém menos que o ministro do Exército, general Dale Coutinho, ex-chefe da repressão no Nordeste. Era, no dizer do político gaúcho Leonel Brizola, o "filhote da ditadura" da vez. O episódio que pesou contra Osmundo Faria, em maio de 1974, deu-se no
Hotel Nacional, na Ribeira, centro de Natal, ponto de encontro de lideranças políticas. O ex-deputado Anderson Dutra, ao irromper no bare cumprimentar o deputado Ivan Rosado, aliado de Dinarte, cometeu uma inconfidência que mudaria os rumos da história política do Estado: - Aluízio é muito forte. Mesmo cassado, tá ali cochichando com o futuro governador. Na noite desse mesmo dia, Dinarte já sabia. Foi o suficiente para o senador voltar-se contra o próprio suplente Osmundo Faria e opor-se à nomeação dele. Aluízio Alves, chefe de extenso clã, tinha ascendido aogoverno em 1960, após intensa luta eleitoral contra o então governador Dinarte MAriz e seu candidato, o deputado federal Djalma Marinho, ruim de voto, mas importante quadro intelectual da direitista UniãoD emocrática Nacional, a UDN.
Apoiado pelo PCB e outras forças de esquerda, Aluízio representava interesses de modernização num Estado dominado pela agropecuária. Tinha, contudo, sólidas raízes udenistas - foi eleito deputado federal seguidas vezes, a partir de 1945, pela UDN, pilotando programas de rádio e organizando ações de assistência aos flagelados das secas. Um populista cujo mandato de deputado federal acabaria cassado em fevereiro de 1969 sob a acusação de corrupção. Mais próximo dos generais da ditadura, Dinarte, assim que soube da conversa no bar do hotel, escreveu para o "general de plantão" Ernesto Geisel, reclamando que nem sequer havia sido ouvido sobre a escolha de Osmundo. Geisel chama Petrônio Portela, seu principal articulador:
- Petrônio, você já nomeou o governador do Rio Grande do Norte?
- Ainda não - responde Petrônio de cima do muro.
- Então, dê uma satisfação ao senador Dinarte Mariz.
Não anuncie agora, não.
- Tudo bem. No dia seguinte, morre Dale Coutinho, padrinho de Osmundo e generallinha-dura, que havia proclamado:
- O Brasil melhorou muito quando começamos a matar! É quando entra em cena o general Golobery do Couto e Silva, eminência parda do governo Geisel: convoca o amigo Tarcísio Maia para assumir o governo potiguar e começar a renovar a elite política estadual, como aconteceria país afora.
Um filhote gera outros: nasce a oligarquia Maia. Apesar de ruim de urna, Tarcísio tem fama de bom administrador
- sob abatuta dos generais foi presidente do extinto Ipase, Instituto dePrevidência e Assistência dos Servidores do Estado.
Mostrou-se desdecedo um filhote da ditadura implacável, ávido pelo poder.
A partir de1975, montou uma estrutura de trabalho social preconizada pelo II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) e se fez senhor da política estadual, indicando o primo e compadre, o médico Lavoisier Maia, seu secretário de Saúde, para sucedê-lo na chefia de governo em 1979. Segundo José Antonio Spinelli, sociólogo e professor do Departamento edo Programa de Pós-Graduação em Ciência Sociais da UFRN, UniversidadeFederal do Rio Grande do Norte, esse processo de sucessão deu início àmontagem de uma máquina política poderosa, que ocuparia o poder porlongos anos.
- Essa composição de poder vai ser extremamente receptiva aosinteresses do setor econômico moderno que se consolida nos anos 60 e70. Mas, assim como seus adversários históricos, os aluizistas, traziaa marca do velho na origem, a utilização do enpotismo como forma de sereproduzir. Por sua vez, Lavoisier indica para a prefeitura da capital o filho deseu primo Tarcísio, José Agripino Maia, 33 anos, jovem engenheiro da EIT, uma empreiteira potiguar, de sólidas ligações com governos doNordeste. Antes de nomeado, José Agripino prestava serviço para a EITem São Luís, onde a empresa mantém escritório até hoje. Spinelli confirma: a indicação de quadros técnicos, jovens, ligados ao empresariado de ponta, para as capitais nordestinas, obedecia à estratégia de perpetuação do regime autoritário. Embora dependente dos recursos e das diretrizes técnicas do governo federal, José Agripino, bom de palanque, desembarca no Rio Grande do Norte disposto a tocar, a qualquer custo, o projeto de poder do velhoTarcísio, seu pai. Inicia em 1979 um programa habitacional que o torna popular. Natural de Mossoró, filho de pai paraibano e mãe baiana, José Agripino faz parte do ginásio em Natal, no Colégio Marista, onde estudam os filhos da pequena burguesia.
Aos 13 anos muda para o Rio, onde cursa o Colégio Andrews. Gradua-se em engenharia civil e faz pós-graduação emestabilização de taludes. Analisada friamente, a trajetória de ânsia pelo poder de José Agripino é exemplo de sucesso nas urnas: governador em 1982, na primeira eleição direta pós-1964, contra ninguém menos que Aluízio Alves; e novamente em 1990, em disputa com o primo Lavoisier Maia (o mesmo que o nomeou filhote-prefeito em 1979); e depois senador por dois mandatos. Ajuda dos milicos: o voto camarão Voto vinculado, invenção da ditadura, que o povo apelidou de voto camarão: o eleitor só podia votar em candidatos de um mesmo partido, sob pena de anular o voto.
Era o que José Agripino precisava nas eleições de 1982 para governador. Nem mesmo a popularidade de Aluízio Alves conseguiu vencer a estrutura montada em torno do jovem prefeito. Coordenador da campanha de Aluízio, o jornalista Ticiano Duarte detalha o que pesou a favor do adversário:
- José Agripino foi beneficiado pelo voto camarão. O PDS tinha tudo, estrutura maior, poder, dinheiro. Eram quatro deputados do nosso ladocontra vinte e tantos do outro; eram seis, oito prefeitos contra noventa. Cem vereadores contra quinhentos. Aluízio venceu em Natal porem votos, mas perdeu feio no interior. José Agripino Maia toma posse em 15 de março de 1983 e, dali a doisanos, será flagrado numa reunião com auxiliares e 120 prfeitos,acertando o que constituiria a maior fraude elitoral da história doRio Grande do Norte. Dessa vez, José Agripino queria eleger prefeita de Natal sua secretaria de Promoção Social, Wilma Maia, em 1985. Tinham como adversário o deputado estadual Garibaldi Alves Filho (PMDB), sobrinho de Aluízio e hoje presidente do Senado.
O plano foi todo armado em quatro reuniões, no Centro de Convenções, Zona Sul de Natal. José Agripino simplesmente instruiu os prefeitos a comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos devotação e apuração e, ainda, usa veículos oficiais com placas friaspara transportar eleitores do interior para a capital. O caso ficou conhecido como Escândalo Rabo-de-Palha, rótulo fornecido pelo próprio José Agripino, que ao final de uma reunião pediu: - Não podemos deixar rabo-de-palha. Caros Amigos reproduz aqui parte da conversa. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, diz que a voz é do governador. José Agripino
-Os pobres estão indecisos.
É em cima desse povo quevocê tem que atuar. Com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas.
Iberê Ferreira de Souza (secretário) - O povo mais pobre que não se compromete, troca o voto por qualquer coisa. Botar o milho no bolso,porque sem milho não funciona.
Álvaro Alberto (financiador) - O meu jogo é aberto. Se é preciso comprar os títulos, vamos comprar. Te que gastar dinheiro, tem que chegar com o dinheiro. O conceito de democracia de Agripino é peculiar, não é adequado averbete de dicionário, serve apenas a ele e seus apaniguados: - Vamos indicar ma área para vocês trabalharem e inclusive nas áreas modestas, de eleitores indecisos que são sensíveis a uma conversa e a uma negociação, que será feita por nós ou por eles. Democracia é isto! O conceito de terrorista também:
- E aí eu quero fazer um lembrete: importante não é a quantidade de pessoal, é a qualidade das pessoas, porque, se a gente traz uma mocinha, como eu vi na eleição de 82, mocinhas inexperientes, elas ocupam uma função, não dão conta do recado e perdem fácil para o comunista, o terrorista, que vai se impor, intimidar e ganhar nogrito. Incômoda redemocratização Com a redemocratização e a nomeação do peemedebista Aluízio Alves ministro da Administração do governo Sarney, os adversários de José Agripino é que passam a dar as cartas em Brasília.
O plano do então governador, de "implodir" o PMDB, não se concretiza. Pelo contrário. ALuízio a autoconcessão da TV Cabugi (afiliada da Globo) - sua família também é dona de rádios e do jornal Tribuna do Norte. Garibaldi Filhoé eleito prefeito de Natal. No ano seguinte, a chapa João, Lavô e Jajá(João Faustino para governador r Lavoisier Maia e José Agripino, senadores) leva as duas vagas do Senado, mas perde na "cabeça" para Geraldo Melo,a liado dos Alves. O filhote não cai, mas balança. Nos últimos trinta anos, alguns atos de José Agripino povoam ofolclore político da região. Um deles, quem conta é o colega AiltonMedeiros, blogueiro e apresentador de progrma de entrevistas de umaemissora de televisão de Natal. - No primeiro governo de José Agripino, me mandaram cobrir a visita dogovernador aos flagelados do Seridó. Eu estava acompanhando o senadorDinarte Mariz, quando José Agripino começou a fumar numa piteira deouro. Foi repreendido por Dinarte: "O que é isso? Isso é maneira devisistar os flagelados?" Daí, o governador, meio sem jeito, apagou ocigarro. Outro detalhe é o gosto de José Agripino por carros e equipamentos desom e imagem. Em 2002 declarou que tem um luxuoso Mercedes SL-320 de114.500 reais; a sala de cinema instalada em seu apartamento de Natalestá avaliada em mais de 150.000 reais. Lourismo: uma questão de bom gosto racial Em 2006, o jornalista e escritor Orlando Rangel Rodrigues, o Caboré,lançou Rabo-de-Palha: o Jabá de Jajá. Caboré é um tipo atuante,opositor da ditadura militar e crítico feroz das oligarquias. Ganhounotoriedade no Seridó nos anos 60 e 70 ao denunciar, na Rádio Rural,crimes de pistolagem. Seu livro narar o Escândalo Rabo-de-Palha demaneira engraçadíssima e traz mais curiosidades sobre José Agripino.Uma delas é o "lourismo". Define o autor na página 89: "... era uma fauna que definia os mortais de puro sangue do governoJosé Agripino. (...) criaram a República de Jacumã, praia do litoralnorte potiguar. Belas mansões que abrigavam, em veraneios, somentepessoas estritamente do convívio palaciano: uma elite de políticos degrandes currais eleitorais e empresários bons de nota". Segundo Caboré, o lourismo não aceita, por exemplo, Lula napreseidência da República. Peço para ele comentar estas declarações doagropecuarista José Bezerra de Araújo Júnior, suplente de JoséAgripino, em entrevista para a Tribuna do Norte: "Collor foi o governo menos corrupto que o país já teve" e "Eu achoque o Lula é um populista analfabeto. Discrimino mesmo: é analfabeto!" - Taí um exemplo do que faz o lourismo. Nunca quiseram ver Lulapresidente. São contra metalúrgico, contra nero, contra pobre, contraanalfabeto. Acham que não têm direito a nada. Convivo com muita gentedo ourismo. Já ouvi vários afirmarem ser contra Barack Obama. Temalgum motivo dessa casta, dessa elite ser contra Barack Obama a nãoser pelo fato de ele ser negro. Hein? Com a corda toda De volta ao governo em março de 1991 - após derrotar o primo eex-aliado Lavoisier -, José Agripino deixa o cargo em abril de 1994para concorrer mais uma vez ao Senado. Volta a Brasília sem que umescândalo de arrecadação de seu governo seja esclarecido. O Ganhe Jáconsistia numa loteria em que o cidadão trocava notas fiscais porcupons que lhe davam o diereito de concorrer a prêmios - geladeira,bicicleta, mochila. Transcrevo a manchete e o começo de uma reportagemdo JN, Jornal de Natal, de 21 de novembro de 1994: "A Falência do Ganhe Já e o Arrocho Fiscal. A campanha do Ganhe Já,denunciada sistematicamente por este jornal como uma farsa, que vendiauma falsa realidade do Rio Grande do Norte (tendo inclusive motivado adecisão do JN a não publicar quqlaquer anúncio da campanha), faliu semjamais ter alcançado seu objetivo, aumentar a arrecadação do Estado.Foi apenas um sangradouro de dinheiro que financiou a DumboPublicidade e fornecedores e levou o Erário a esvaziar-se a ponto de oEstado não ter dinheiro em caixa sequer para o pagamento da folha dofuncionalismo." O semanário JN vendia 7.500 exemplares (nada mal para uma cidade dotamanho de Natal). A reportagem a seguir ilustra bem o que estava poratrás do Ganhe Já: "O empobrecimento do Estado, que tem hoje uma legião de 1 milhão deflagelados (...), se deu na exata medida do enriquecimento de 'amigosdo peito' do governador, com destaque para os proprietários da DumboPublicidade, responsável pela farsa do Ganhe Já, que manteve quasetoda a imprensa amordaçada durante os quatro anos de governopefelista." A Dumbo Publicidade não tocava o dito programa de arrecadação comzelo, como mostra o JN de 28 de novembro de 1994: "Como tudo que cercou o Ganhe Já antes de sua falência total, aparticipação da empresa Informe Prestação de Serviços Ltda.,terceirizada pela Dumbo Publicidade para executar a campanha, também éum mistério. E dos mais nebulosos. Contratada sem licitação, depoisque o então secretário de Fazenda Manoel Pereira anulouinexplicavelmente a concorrência que havia sido aberta justamente parase escolher a firma que iria trabalhar no Ganhe Já, a Informe viveusempre nas sombras." José Agripino nunca processou o JN pelas denúncias. De bem com a vida Rua Carlos Passos, bairro do Tirol, área prá lá de nobre. É aqui, nocondomínio Aurino Vila, que mora na cobertura com piscina o senadorJosé Agripino. É um edifício de dezesseis andares, de mau gostoarquitetônico - de fachada branca empastilhada. Não é para qualquerum. É para o raro cidadão que tem 1 milhão e meio de reais no bolsosobrando. Grana, para José Agripino, não é problema. Menos aindadepois que o INCRA comprou, já no governo Lula, três imóveis dentro dafazenda São João, antes pertencente ao pai dele, Tarcísio, em Mossoró.O governo comprou os imóveis, com 3.985 hectares, por quase 4 milhõesde reais. Nada mal para quem já declarava à Justiça Eleitoral, em2002, quase 3 milhões de patrimônio. Apuração Estive em Natal na segunda metade de fevereiro passado. Durante umasemana consegui entrevistar apenas três pessoas (e todas sem seidentificar) sobre o Rabo-de-Palha e o Ganhe Já. Ninguém quer tocar noassunto. Fácil explicar: a família de José Agripino, líder do DEM(ex-PFL) no Senado, controla cinco rádios e uma emissora de televisão,a TV Tropical (afiliada da Record); Iberê Ferreira de Souza, seuex-secretário, é vice-governador e secretário de Recursos Hídricos,auxiliar justamente da governadora Wilma de Faria, ex-mulher deLavoisier Maia e secretária de Promoção Social de José Agripino que,caso vencesse Garibladi Filho no pleito de 1985, se tornaria a maiorbeneficiária do Rabo-de-Palha. Tem mais, muito mais: Álvaro Alberto, financiador de campanhaenvolvido no esquema, é um sujeito muito rico. Foi dono da falidaAssociação de Poupança e Empréstimo do Rio Grande do Norte (Apern),hoje preside a Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), empresa deobtenção de crédito com atuação em todo o país. O próprio resultado daeleição de 1985 ajudou o caso a cair em esquecimento: Garibaldi Filho,hoje presidente do Senado, venceu o pleito, ajudado pela exposição doescândalo pouco antes da eleição. Ou seja: ganhou a eleição, para quecontestar o resultado? Outra ironia: Garibladi Filho e José Agripinohoje estão aliados, Costumam cumprir agenda, percorrendo juntos oEstado. O Rabo-de-Palha é tabu em Natal, cidade onde nasci e cresci ouvindo emcasa, na escola, na rua a história das "feirinhas do Centro deConvenção" de que falava Agripino. O mesmo acontece com o Ganhe Já.Como todo lugar em que as oligarquias dominam a política e contorlamos veículos de informação, ese tipo de assunto fica restrito à casados envolvidos. O que faz sentido: não existe lugar mais apropriadopara lavar a roupa suja. TAL PAI Cinqüenta e cinco deputados federais (10,7 por cento da casa) detêmconcessões de radiodifusão. O Rio Grande do Norte encabeça o rol demaiores detentores: metade da sua bancada. O deputado potihuar Felipe Maia (DEM), 34 anos, filho de José Agripinoe neto do velho Tarcísio, possui cotas nas rádios A Voz do Seridó eRádio Curimatau de Nova Cruz. Chama atenção o valor das cotas: 32reais. A declaração de bens do parlamentar em 2006 mostra que suaparticipação na Rádio Curimatau é de apenas 10 reais; na outra,investiu mais alto: 22 reais. A maior parte de seus quase 4 milhões de reais declarados está numa desuas oito contas do Fundo de Investimentos Sudameris. Felipe temapartamentos em bairro chique, empresa de revenda de motos, contas emfundos de investimentos. E ainda a Comav, que, mediante concessãopública, transporta o combustível que abastece aeronaves no aeroportode Parnamirim (Grande Natal). Felipe Maia tem participação, também, na emissora de televisão do pai,a TV Tropical (afiliada da Record), com 2.000 reais de cotas. O artigo54 da Constituição diz que deputados e senadores não podem terparticipação no tipo de empresa em que Felipe Maia atua:concessionárias da administração pública. E na Câmara dos Deputadosele é suplente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar... Léo Arcoverde, com colaboração de Raquel Souza. Postado por Alisson Almeida às 10:33 6 comentários: J. Maurício disse... Boa matéria! Poderiam ter especificado, explorado com mais detalhescomo José Agripino Maia se utiliza das concessões públicas queadministra (seria esse o termo?). De qualquer forma, já estava na horado Brasil conhecer a outra face do "galeguinho do Alecrim", ou "jajá",codinomes da ilustre personagem radiografada pela Caros Amigos.Interessante foi ver o pronunciamento de José Agripino se em relação amatéria: parafraseando suas declarações, disse se tratar de umatentativa do governo em colocar sob suspeita a integridade dosoposicionistas. Como se precisasse! Será as pesquisas de opiniãopública não são suficientes para tanto?Bom, mas posso deixar de manifestar minha revolta com o blog da ThaisaGalvão. Aquela senhora é jornalista ou cabo eleitoral de Wilma deFaria, Carlos Eduardo Alves, José Agripino Maia... Nunca tive umcomentário publicado lá. Porque será? Terá sido fato de contestar osposicionamentos dela?Os comentários que ela fez em relação a matéria da Caros Amigos édigno de nota: "A revista Caros Amigos, que está nas bancas, traz comoreportagem de capa, uma matéria que pelo tanto de adjetivo, passalonge de uma matéria jornalística". Perdoe-me está colocando essaspalavras aqui, mas meus questionamentos não encontram espaço por lá...Lá, ela traz também a fala de "jajá" comentando a matéria.Imperdível!!! Ela dá uma verdadeira lição de como se faz jornalismo. Aminha ironia não é fina, mas é essa situação é exasperadora...Sim, parabéns pelo trabalho! 7:57 PM J. Maurício disse... As palavras de "jajá são dignas de nota. Olha só: " Essa matériaestava anunciada, até porque foi encomendada.O governo quer a todocusto desqualificar a oposição. Coisa dos "aloprados". Esse é o preçoque eu pago por interpretar o sentimento da sociedade fazendooposição".Parece até que o governo precisa agir para desmoralizar uma oposiçãoque conta com personas do cacife José Agripino, Arthur Vírgílio,Álvaro Dias... 8:01 PM Alisson Almeida disse... Amigo Maurício, também senti falta na matéria de um maioraprofundamento na questão das concessões. É vergonhoso o uso que osenador em questão faz da TV Tropical. Não sei por que o Léo Arcoverdenão esmiuçou mais sobre isso. Eu mesmo já escrevi alguns artigosfalando desse assunto. Em relação à Thaisa Galvão, não vale a pena nem se indignar com ela.Prefiro deixá-la lá no mundinho dela, escrevendo aquelas coisinhas dafofolítica e tocar meu barco daqui. Depois de algunas embates, percebique só vale a pena pelejar com/contra quem está minimamentehabilitado, intelectualmente falando, a se opor a você. Não é o casodela. A criatura vive de escrever fofoquinhas de bastidores da pequenapolítica e ousa criticar a matéria da "Caros Amigos", dizendo que nãoé uma matéria jornalística. Faça-me o favor, né. E sobre a reação e as palavras de Jajá, não dá pra levá-lo a sério.Ele é simplesmente patético, anedótico. Dizer que ele enquantooposição interpreta "o sentimento da sociedade" é uma piada. Deve sera parcela da sociedade que integra o "lourismo". Falar também em"integridade da oposição" é ser muito cara de pau. Mas Jajá é assimmesmo; tem rompantes ditatoriais e não gosta quando pisam no calodele. A máscara caiu e o reizinho de nada está nú. 9:28 PM Júlio César de Lima Prates disse... Bela matéria. Aqui no outro extremo do país, no outro Rio Grande, suamatéria fez eco. Anunciei-a com um link em meu blog.Sucesso 6:45 PM Pedro disse... Olá. Parabéns pela matéria. Gostaria que os companheiros jornalistasbuscassem informações do Senador José Agripino e a sua relação com aUNP - Universidade Potiguar (maior Universidade particular doNordeste, com quase 30 mil alunos), hoje sócia do GrupoLauretti(Empresa estrangeira que atua no ramo empresarial dasUniversidaeds Particulares do Brasil e do mundo). Esta Universidade é conhecida nacionalmente por praticas de repressãoe retaliação ao movimento estudantil. O curso de Medicina da UNP demorou a ser aprovado, uma vez que o MEC,neste governo, estava mais rigoroso em relação a abertura de novoscursos. Após solucionar os "entraves burocráticos" lá em Brasília,entre 2003 e 2005. O Reitor Manoel Pereira, logo em seguida, foinomeado Reitor desta Universidade. A UNP juntamente com o Instituto Tancredo Neves, organizou uma sériede Cursos de Formação, dentro da própria Universidade, que contou coma presença do próprio José Agripino e com lideranças nacionais doantigo PFL, e hoje DEM. Esta Relação José Agripino e Universidade Potiguar - UNP é algo quemerece muita atenção por parte da imprensa. Por exemplo: Este mesmo Reitor da UNP é o então Manoel Pereira, aquelemesmo citado na matéria da Caros Amigos. "Como tudo que cercou o Ganhe Já antes de sua falência total, aparticipação da empresa Informe Prestação de Serviços Ltda.,terceirizada pela Dumbo Publicidade para executar a campanha, também éum mistério. E dos mais nebulosos. Contratada sem licitação, depoisque o então secretário de Fazenda Manoel Pereira anulouinexplicavelmente a concorrência que havia sido aberta justamente parase escolher a firma que iria trabalhar no Ganhe Já, a Informe viveusempre nas sombras." Abraços fraternos.